Lula diz que Brasil acionou reciprocidade contra EUA para mostrar força
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil acionou a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos para demonstrar que o país tem capacidade de reagir às medidas adotadas pelo governo de Donald Trump.
A declaração foi dada durante entrevista a podcasts. Segundo Lula, a decisão tomada pelo governo brasileiro busca deixar claro que o Brasil não aceitará medidas consideradas injustas e que pretende defender seus interesses comerciais e sua soberania.
“Ontem, entramos com a lei da reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa”, afirmou o presidente.
O governo brasileiro iniciou na quinta-feira (13) o processo previsto na legislação, depois da entrada em vigor de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As medidas americanas incluem uma tarifa de 25%, além de uma sobretaxa de 12,5% aplicada sob justificativas relacionadas ao combate ao trabalho forçado, fazendo com que algumas mercadorias brasileiras possam sofrer taxação de até 37,5%.
Apesar da reação, Lula afirmou que ainda pretende buscar o diálogo com o governo norte-americano. O Itamaraty notificou os Estados Unidos e solicitou consultas diplomáticas formais, abrindo espaço para negociações antes de uma eventual aplicação de contramedidas.
A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar diferentes medidas contra países que imponham barreiras consideradas prejudiciais aos interesses brasileiros. Entre as possibilidades estão restrições comerciais e suspensão de determinadas concessões.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende avaliar as medidas com cautela, considerando os impactos sobre empresas, consumidores e a economia brasileira.
Para Lula, entretanto, a iniciativa também tem um significado político e diplomático: mostrar que o Brasil está disposto a defender seus interesses sem abandonar a negociação. O presidente afirmou que prefere resolver o conflito por meio do diálogo, mas que o país precisa demonstrar capacidade de reação diante das decisões de Washington.